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Estudando o Salmo 24

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“1. Do Senhor  é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam. 2 Porque ele a fundou sobre os mares, e a firmou sobre os rios. 3. Quem subirá ao monte do Senhor, ou quem estará no seu lugar santo? 4. Aquele que é limpo de mãos e puro de coração, que não entrega a sua alma à vaidade, nem jura enganosamente. 5. Este receberá a bênção do Senhor e a justiça do Deus da sua salvação. 6. Esta é a geração daqueles que buscam, daqueles que buscam a tua face, ó Deus de Jacó. (Selá.) 7. Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o Rei da Glória. 8. Quem é este Rei da Glória? O Senhor forte e poderoso, o Senhor poderoso na guerra. 9. Levantai, ó portas, as vossas cabeças, levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o Rei da Glória. 10. Quem é este Rei da Glória? O Senhor dos Exércitos, ele é o Rei da Glória. (Selá.)”

Introdução:

Breve análise do Salmo

            Classificado como Salmo Messiânico, o salmo vinte e quatro tem sido visto como litúrgico, pois celebra a entrada no santuário. Crê-se que no contexto da liturgia dos cultos dos Hebreus, esse seja um dos salmos que fosse entoado por um coro postado nos portões do Templo.

O Salmo faz parte de um grupo de 11 salmos que eram usados nos cultos dos Hebreus: (24, 50, 68, 81, 82, 95, 108, 115, 121, 132 e 134).

            O Salmo está divido em três partes que são originais e independentes: (versículos de 1 – 2; 3-6 e 7-10). As divisões são percebidas de forma muito clara pelas diferenças de métrica, forma, atitude e conteúdo que não deixam dúvidas.

            Esse salmo tem sido atribuído a Davi, mas ao que parece ele veio do período pós-exílio. É possível que os versículos de 7 a 10 sejam do período pré-exílicos e que tenham sido reunidos em uma composição única, quando da organização do salmo para ser usado nas liturgias.

            Temos nesse salmo uma estrutura bem próxima a do salmo vinte e três em razão da exaltação do Senhor como Criador e Rei. Há uma interligação profunda do Pastoreio com a Soberania de Deus. A figura da ovelha cuidada pelo pastor é também vista a luz da aceitação da Soberania divina.

            O salmo é Messiânico porque traz em si valores proféticos acerca de Cristo, quando de sua ascensão. Em seu aspecto messiânico, ele sinaliza a vitória instaurada de Cristo na Cruz do calvário e ressurreição vencendo a morte e o inferno. Ele apresenta o Cristo vitorioso, o Rei eterno que venceu na cruz derrotou de forma plena o reino das trevas e todo o poder de Satanás. Compare o versículo 8 do salmo com Cl. 2.15 e Hb 2. 14, 15. Agora compare o versículo 10 com Ap. 5. 11-14 e 17.14.

Análise dos versículos:

24.1,2 - Do SENHOR é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam. Porque ele a fundou sobre os mares, e a firmou sobre os rios”.

            A terra e tudo o que nela há pertencem ao Senhor. Tudo pertence a Deus, pois Ele é o criador e sustentador de todas as coisas. (Gn. 1.1, Jo 1.1-3)

            Os versículos 1 e 2 desse maravilhoso Salmo, apontam para a grandeza e soberania do Deus que criou, reina e governa todo o universo.

24. 3-6 – “Quem subirá ao monte do Senhor, ou quem estará no seu lugar santo? Aquele que é limpo de mãos e puro de coração, que não entrega a sua alma à vaidade, nem jura enganosamente. Este receberá a bênção do Senhor e a justiça do Deus da sua salvação. Esta é a geração daqueles que buscam, daqueles que buscam a tua face, ó Deus de Jacó”.

            Um grande coro está sendo entoado pelos Hebreus à porta do Templo. De repente houve se um clamor: “Quem subirá ao monte do senhor, ou quem estará no seu lugar santo?” Ao mesmo tempo em que há um clamor, há também uma grande advertência de que nem todos poderão subir ao Templo para cultuar ao Senhor. Somente os qualificados poderão subir e culturar. Logo à seguir no versículo 4, o texto apresenta as qualificações daqueles que poderão subir para cultuar no Templo. Esses deverão ter corações “puros” e “mãos limpas”. Vemos aqui os requisitos morais da Lei Mosaica. A Lei no contexto da nação de Israel era o documento usado para a crença e prática da nação. Ela era o estatuto eterno do povo de Deus. (Ex 29.42; 31.16; Lv 3.17 e 16.29). As exigências que a Lei trazia era para todo o Judeu que precisava estar em dia com a Fé e a prática dos mandamentos do Senhor, para se aproximar do Templo de Jerusalém.

            Dentro do contexto os requisitos continuam sendo ampliados no contexto prático da vida do Hebreu. Para subir ao templo era necessário também que não fosse entregue à falsidade (vaidade) do que inclui idolatria e outras práticas pecaminosas. Não deveria ser pessoa que jurasse dolosamente. Aqui num confronto com Ex. 20.7, temos a exigência de que o adorador não poderia estar envolvido em mentiras, falsos testemunhos (Engano em tribunal de lei, perante juízes, homens ou em qualquer outro lugar).

            De forma clara a pessoa que intentasse subir ao Templo, deveria ter atitudes corretas (coração) e atos retos (mãos limpas).

            Na sequencia vemos que são esses que receberão a bênção do Senhor. Aquele que fosse aprovado no versículo quatro poderia continuar marchando na direção do Templo, para a realização do culto, os sacrifícios, os ritos, os votos, etc... Essa pessoa caminharia na certeza da bênção do Senhor, pois era promessa Dele aos que fossem encontrados com mãos e corações limpos.

            O versículo cinco diz: “Este receberá a bênção do Senhor e a justiça do Deus da sua salvação”. Apesar de alguns intérpretes cristianizando o texto, afirmarem que aqui reside a “Salvação da alma” abordando as doutrinas do céu e da terra, precisamos ter em mente que no Antigo Testamento, ainda não havia essa concepção, pois só teve seu início de formação nos livros  apócrifos e pseudepígrafos e de forma mais profunda, sua concepção formada no Novo Testamento. O que podemos pensar nesse contexto à luz de uma aplicação pra hoje é apenas uma alusão profética acerca da salvação cristã, mas sem definição. Contudo, não é errado interpretarmos de forma espiritual esse versículo, embora corramos o risco de ir além do que o autor do texto mencionou. Precisamos entender que as bênçãos de Deus aos seus filhos são decorrentes de sua fidelidade ao Senhor. Logo, no nosso contexto, vemos como bênçãos também a Salvação que nos foi outorgada por Cristo Jesus.

            O versículo seis revela o grupo que fazia parte, daqueles que eram encontrados de corações e mãos limpas. Esses eram os que faziam parte dos que buscavam a face do Senhor e a encontrava. Eles procuravam ardentemente por serem encontrados no Altar do Deus de Abração, Isaque e Jacó. Eles se alegravam na presença do Deus que havia cumprido Suas promessas, fazendo deles uma Nação Sacerdotal (Ex 19. 1-25).

Os que não fossem qualificados, não poderiam fazer parte desse grupo de adoradores que podiam subir ao Templo do Senhor e ali desfrutar da presença de Deus que se manifestava no Santo dos Santos.

24. 7-10 – “Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o Rei da Glória. Quem é este Rei da Glória? O Senhor forte e poderoso, o Senhor poderoso na guerra. Levantai, ó portas, as vossas cabeças, levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o Rei da Glória. Quem é este Rei da Glória? O Senhor dos Exércitos, ele é o Rei da Glória”.

            É nessa parte do texto que muitos interpretes veem o aspecto messiânico do Salmo e o aplicam a ascensão de Cristo.

            Numa perspectiva histórica o foco está nos portões do Templo. O cortejo de adoradores chega diante dos portões e chamou por eles. Aqui no texto poético há a personalização dos portões. É como se eles estivessem vivos e pudessem ouvir a multidão que canta: “Levantai, o portas, as vossas cabeças...”  Há uma conjectura de que havia no cortejo dois grupos onde um cantava uma parte do salmo e o outro respectivamente a outra parte. Um dia grupo dizia: “Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o Rei da Glória.” E então o outro grupo cantava perguntando: “Quem é este Rei da Glória?” E assim os dois grupos iam cantando e andando na direção dos portais do Templo.
            De forma profética e clara o contexto aqui faz menção do Rei dos reis que é Jesus. Uma multidão canta: “Quem é o Rei da glória?” A multidão que vinha trazendo a Arca responde: “O Senhor, forte e poderoso, o Senhor, poderoso nas batalhas”. A alusão aqui parece à Arca trazida por Davi ao tabernáculo por ele mesmo levantado, o qual simbolizava a presença de Yahweh. O Deus soberano que trazido ao tabernáculo, sendo representado pela Arca é o forte na batalha, o grane general do Exército e que propiciava vitórias a nação de Israel. Vitórias essas que estão sendo celebradas no Templo do Senhor pela nação que canta alegremente e oferece sacrifícios. Aqui temos o lado profético que aponta para a ascensão de Cristo. Ele é o nosso grande general que veio de uma grande batalha e que foi vitorioso sobre as forças do mal na terra e no inferno (Cl. 2.15). Somente Ele teve o direito legítimo de entrar no Templo Celeste. Aleluia! Os portais eternos se abriram quando da assunção do Cristo ressurreto e Ele o Soberano e Eterno, o grande herói da batalha, Aquele que instaurou a derrocada plena do Reino das trevas e todo o poder de satanás, entrou nos céus nos trazendo a salvação. (Ap 19. 11-21)

            Nos versículos 9 e 10 vemos uma duplicação do versículo sete, revelando de forma dramática a grandiosidade das verdades do versículo 7. Não se trata de duas vindas, como muitos interpretam, mas sim uma ênfase que dada ao ato profético em razão de sua grande relevância que foi no contexto da nação de Israel e que também o é para a Igreja de Cristo.

            Conclusão:

            Que essas maravilhosas verdades contidas nesse maravilhoso salmo, possam edificar as nossas vidas e reafirmar na vida daqueles que creram, os valores imutáveis da Palavra de Deus e que são fundamentos para o viver cristão. Que à luz dessa palavra profética, sejamos cada vez mais encontrados vivendo de forma santa, piedosa e caminhando na grande expectativa da volta do Senhor Jesus.

Fonte Bibliográfica:
________________________
- Bíblia Sagrada
- O Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo – R.N. Champlin, Ph. D. Editora Hagnos.


Pr. Waldyr do Carmo


Igreja Casa de Oração Cehab


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