“Porque a Lei produz a ira. E onde não há Lei, não há transgressão.” O que é a Lei? Romanos 2. 12,13 “Todo aquele que peca...
“Porque a Lei
produz a ira. E onde não há Lei, não há transgressão.”
O que é a Lei?
Romanos 2. 12,13
“Todo aquele que pecar sem a Lei, sem a Lei também perecerá, e
todo aquele que pecar sob a Lei, pela Lei será julgado. Porque não são os que ouvem a Lei que são
justos aos olhos de Deus; mas os que obedecem à Lei, estes serão declarados
justos."
Observação geral sobre o termo “lei”
Lei se entende por princípio,
preceito ou normas que são criadas com o objetivo de estabelecer regras que precisam
ser seguidas. A palavra vem do latim “lex”, que significa “lei” e que tem o
sentido de uma obrigação que é imposta. São através das leis estabelecidas e
regidas por uma sociedade, que as ações e comportamentos dos indivíduos são
controlados, visando a subsistência dessa sociedade.
Observação bíblica sobre o termo “Lei”
Olhando para a Palavra de Deus,
vemos que “a Lei” foi dada ao povo de Israel, através de Moisés, quando a
congregação estava acampada em frente o monte Sinai, após o povo ter saído do
Egito. Foi através da instauração da Lei que Deus se tornou conhecido ao seu
povo, revelando Sua vontade em especial em três áreas da Nação: pessoal, social
e espiritual. Portanto, vemos de forma clara que no antigo testamento, fazer a
vontade de Deus estava intrinsicamente ligado a obediência à Lei.
Qual a razão de Deus ter dado a “Lei”?
Em
II Timóteo 1.9 lemos:
“Que nos salvou e nos chamou com
uma santa vocação, não em virtude das nossas obras, mas por causa da sua
própria determinação e graça. Essa graça nos foi dada em Cristo Jesus desde os
tempos eternos,”
De forma clara vemos nesse texto e
contextos, que a intenção original de Deus não foi a promulgação da Lei, mas
que o seu desejo desde a eternidade foi a manifestação da Sua maravilhosa Graça
a todos os homens. Isto fica muito claro quando lemos Gênesis 1.28a “Deus os abençoou e lhes disse: "Sejam férteis e
multipliquem-se! Encham e subjuguem a terra!”
A ideia original de Deus foi que o homem que fora
criado para Louvor da Sua Glória pudesse estar se multiplicando e gerando
multidões de adoradores que O estariam adorando em espírito e em verdade. (Jo
4.23)
A Lei foi instaurada então por Deus
em razão da transgressão e pecado do homem contra Deus. (Gn 3) Com a entrada do
pecado na humanidade através dos nossos primeiros pais (Adão e Eva), uma
promessa de reconciliação do homem com Deus foi anunciada. (Gn 3.15) o
descendente da mulher (O mediador - Jesus), esmagaria a cabeça da Serpente
(Satanás). Nesse mesmo contexto, Gálatas 3.19 nos afirma: “Qual era então o propósito da Lei? Foi
acrescentada por causa das transgressões, até que viesse o Descendente a quem
se referia a promessa, e foi promulgada por meio de anjos, pela mão de um
mediador.”
Após a entrada
do pecado no mundo, os homens se viram arruinados e separados de Deus! Por mais
de 1600 anos os homens estiveram perdidos e longe de Deus. O pecado e maldade
chegou a tal ponto, que Deus decidiu exterminar por completo da face da terra o
homem que criara (Gn 6. 5-7). Toda a raça humana não foi extinta da terra,
porque Deus encontrou Noé, um homem que o temia. A Bíblia afirma em Gênesis 6.9
que “Noé era
homem justo e perfeito em suas gerações; Noé andava com Deus.”
Aqui se vê revelado o grande amor de Deus
pelos homens, pois através do temor e obediência de Noé a Deus, ele e sua
família foram poupados da destruição que veio através do dilúvio. Contudo, a
semente do pecado adâmico permanecia neles e no transcurso do repovoamento da
terra que se deu a partir da família de Noé, o pecado continuou na humanidade e
perdura até aos dias de hoje.
Para o
cumprimento de sua promessa feita quando o homem pecou (Gn 3.15), Deus então
escolhe um homem chamado Abrão, de Ur dos Caldeus; Ele o chama dentre os seus o
abençoa e promete que através dele uma grande nação seria formada e que todas
as famílias da terra seriam abençoadas através de Abraão (Gn 12. 1-3). Abraão
obedeceu e Deus cumpriu sua promessa formando através dele uma grande nação
afim de cumprir o seu grande plano de trazer ao mundo o Seu filho, por meio do
qual Sua graça seria revelada aos homens. O povo de Deus foi conservado no
Egito por mais de 400 anos, para que se tornassem fortes e numerosos (Gn 45.
5-7, Ex 1.7). Deus então cumpre os seus planos tirando o povo do Egito com
grande poder (Ex 14. 21-22), para leva-los à Canaã prometida a Abraão (Ex 6.
2-5). Foi na caminhada do povo rumo a Canaã, chegando ao monte Sinai, que Deus
através de Moisés, firmou uma aliança com o seu povo, entregando a eles as
diversas leis que estariam regulamentando o seu relacionamento com Deus e entre
si. Os livros de Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio, registram essas leis
que ficaram conhecidas como a “Lei de Moisés” ou a “Lei de Deus”, da qual fazem
parte os “Dez Mandamentos”. (Ex 19. 1-6)
A lei foi dada por Deus para que o homem se tornasse
consciente dos seus pecados (Rm 5.20). Quando o homem transgride o pecado é
concretizado, com isto o mandamento é quebrado e a lei violada. O pecado sendo
praticado é a evidência da rebelião interior. O homem caído com suas ações
pecaminosas se rebelando contra Deus. A transgressão se manifesta quando o
homem é atraído pelos seus desejos pecaminosos que emanam do coração e cede a
tais desejos (Tg 1. 14,15). Diante do ato que foi praticado, a Lei diz: “Você
transgrediu, você errou, você pecou.” Romanos 3.20 nos afirma: “Portanto, ninguém será declarado justo diante dele baseando-se na
obediência à Lei, pois é mediante a Lei que nos tornamos plenamente conscientes
do pecado.”
A lei não justifica, ela somente
revela que um ato pecaminoso foi cometido. Dessa forma aquele que pecou diante
da lei se torna consciente do seu pecado que traz a essa pessoa sentimentos de
culpa e condenação, dos quais não se livrará sozinho. Diante de tal realidade
(s), o pecador percebe que necessita de salvação, perdão, justificação e
libertação. Afirmamos pela Palavra de Deus segundo Gálatas 3. 23,24, que a Lei
nos serviu de “aio”, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos
justificados.” Através da lei, o homem se tornou consciente do pecado e foi
preparado que pudesse ser salvo pela Graça.
Através de Cristo Jesus, a
maravilhosa Graça de Deus foi manifestada a todos os homens. Através da morte
de Cristo na Cruz, o escrito de dívida de todos os homens foi cancelado. “A vós,
estando mortos pelos vossos delitos e pela incircuncisão da vossa carne, vos
deu vida juntamente com ele, tendo-nos perdoado todos os nossos delitos; tendo
cancelado o escrito de dívida que era contra nós e que constava de ordenanças,
o qual nos era contrário, removeu-o inteiramente, cravando-o na cruz; e tendo
despojado os principados e potestades, os exibiu abertamente, triunfando deles
na mesma cruz” (Cl 2. 13-15)
Em Cristo a lei cumpre o seu
principal propósito: Ela aprisiona todos debaixo de si e os leva a Cristo, para
serem libertos e salvos por sua Graça, mediante a Fé. Por isso Gálatas 3. 23,24
nos afirma que a lei teve a função de “aio”, nos conduzir a Cristo. Observa-se
porém, que se uma pessoa não aceita a Justiça de Cristo por fé em sua vida, a
lei não cumpre nela o seu propósito; essa pessoa continuará aprisionada a lei e
não terá acesso a graça de Cristo. Morrendo em seu pecado, enfrentará o castigo
de passar a eternidade separada de Deus no lago de fogo que é a segunda morte. (Ap. 20.15)
COMPREENDENDO
ROMANOS 4.15
Agora podemos
entender plenamente o texto de Romanos 4. 15. Porque a lei produz a ira. Quem
fica irado? Ela produz, revela a ira de Deus ou seja a Justiça de Deus diante
do pecado que foi cometido. E o texto termina dizendo: Porque onde não há lei,
não há transgressão. Sim! Onde não há lei, não há compreensão da transgressão,
do pecado! É isso que o texto está afirmando. Não há compreensão de que um
pecado foi cometido contra Deus. Não há essa consciência. Contudo, é importante
lembrar que biblicamente, mesmo sem o conhecimento da Lei os pecadores também
perecerão. Romanos 2.12,13. Ou seja, não há desculpas para o pecado.
Esperamos ter
ajudado com essa breve análise desse texto.
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